SEMINÁRIO INTERNACIONAL
TVQ – CRIANÇA, ADOLESCENTE E MÍDIA
APRESENTAÇÃO
Quase um terço da população brasileira é composto por crianças e adolescentes de até 14 anos. São cerca de 50 milhões de seres em formação que têm na mídia eletrônica, especialmente a televisão, presente em 89% dos lares brasileiros, sua principal opção de entretenimento, lazer e até educação.
Dados do IBOPE indicam que nossas crianças e jovens assistem, em média, a 3 horas e meia de televisão por dia. E que os programas de maior audiência nessas faixas etárias são as telenovelas, os noticiários e os programas de humor, variedades e esportivos, em horários variados, inclusive noturnos.
Nesse contexto, a Internet surge como uma nova e poderosa mídia. No Brasil, um número cada vez maior de crianças e jovens acessa este atraente mundo midiático que se abre em suas vidas. São 2,8 milhões de adolescentes e jovens que navegam pela Internet por um número de horas que já supera os europeus e os japoneses, ficando abaixo apenas dos norte-americanos.
Colocam-se aqui questões urgentes e fundamentais sobre as quais é preciso refletir, entre outras coisas, sobre:
* Qual a qualidade da televisão que nossas crianças e jovens estão assistindo?
* E das outras mídias que eles acessam?
* Como determinar a influência e a importância dessa audiência para o desenvolvimento das novas gerações?
* Qual é o papel da sociedade, dos pesquisadores, dos profissionais de mídia e dos pais nesse processo?
* Dentro desse panorama, o que é possível fazer e o que tem sido feito?
O Seminário Internacional TVQ – CRIANÇA, ADOLESCENTE E MÍDIA objetivou trazer à tona essas e muitas outras questões propostas pelos palestrantes e participantes/ouvintes do evento, contribuindo ativamente para que esse debate permaneça sempre em pauta.
A NECESSIDADE DE SE CONHECER A RELAÇÃO TV/CRIANÇA
Há cinco décadas, fadas, bruxas, duendes, animais falantes, monstros, príncipes encantados desfilavam em flanelógrafos e teatrinho de sombras, povoando o imaginário do público infantil. Neste ambiente fascinante e lúdico, onde se mesclavam também sons de cachoeiras, sapos e grilos, as crianças transitavam do mundo real para o mundo da fantasia. Nessa época – assim como hoje, apesar da invasão dos brinquedos eletrônicos, da televisão e da Internet – as crianças gostavam de fazer bolinhos e castelos na areia molhada das praias, de empinar pipas de jornal com rabo de pano, de inventar cabanas-esconderijo.
Felizmente, ainda hoje, pintando, desenhando garatujas, brincando de pega-pega e esconde-esconde, a criança cria o seu espaço de faz-de-conta, onde materializa os seus desejos compartilhando da vida animal, mudando de tamanho, libertando-se da gravidade e tornando-se até mesmo invisível. É preciso sempre lembrar que a criança é um ser histórico que produz cultura através do seu imaginário e que, assim, estabelece relações com o ambiente que a cerca.
A observação constante das crianças, em diferentes contextos e atividades, e a reflexão sobre o universo do imaginário infantil, foram as balizas que nos direcionaram para a realização de trabalhos de pesquisa sobre a relação da criança com a mídia, em especial, com a televisão. Já no final dos anos 1970, a investigação que originou “O Pica-pau: herói ou vilão? Representação social da criança e reprodução da ideologia dominante” levou-nos a estudar os desenhos animados a fim de entender a fascinação que os mesmos causavam às crianças. E ainda causam!
Naquele tempo, o debate sobre os supostos efeitos catárticos ou narcotizantes da TV – amada por muitos e odiada por poucos – andava acirrado. Era necessário investigar, fazer estudos de recepção, desenvolver novas metodologias e observar ainda mais a criança, para desmistificar concepções apocalípticas ou reducionistas sobre a relação TV/criança, e para poder responder a perguntas ainda não suficientemente aclaradas.
Como conseqüência natural e necessária dessa trajetória de reflexões e pesquisas, em 1994, nasceu o LAPIC – Laboratório de Pesquisas sobre Infância, Imaginário e Comunicação, aglutinando pesquisadores de várias origens e instituições. Entre outros, são objetivos do LAPIC: produzir conhecimentos; desenvolver novos paradigmas para o estudo das mediações no processo de recepção e de leitura crítica da produção cultural específica para o público infanto-juvenil e geral; formar pesquisadores; manter grupos de estudos; e, fundamentalmente, produzir e divulgar materiais que possam subsidiar o trabalho do professor que lida com a criança, permitindo a apropriação do conteúdo televisivo e a utilização de novas estratégias no desenvolvimento curricular com base em eixos temáticos globalizados, que fazem parte do cotidiano de uma sociedade plural.
Paralelamente ao desenvolvimento de suas investigações e pesquisas, o LAPIC tem organizado simpósios e seminários com o objetivo de ampliar o fórum de discussão sobre a questão TV/criança. Assim ocorreram, em 1996, o I Simpósio Brasileiro de Televisão, Criança e Imaginário e, em 1998, o II Simpósio que abordou o tema O cotidiano infantil violento: marginalidade e exclusão social. E, agora, em 2003, buscando novas parceiras no âmbito da universidade e da sociedade civil, sempre com o objetivo de ampliar ainda mais o debate e abrir novos horizontes de discussão, o LAPIC participou da proposição e da realização deste Seminário Internacional TVQ – Criança, Adolescente e Mídia.
Elza Dias Pacheco - Coordenadora Geral do LAPIC
PENSANDO UM FUTURO PARA O PLANETA
No século 21, caracterizado pela complexidade ambiental no contexto da sociedade globalizada, a tecno-eletrônica consolida-se efetivamente como elemento integrador das relações humanas no planeta, configurando paradigmas e modelos produzidos ao sabor dos interesses hegemônicos que, por sua vez, impõem decisões em função de poderes não explicitados e não tematizados na esfera pública. Propagando e disseminando imagens, símbolos, argumentos e ideologias, estes veículos constituem-se em poderosos agentes potenciais de socialização humana e, portanto, de educação e individualização de crianças e adolescentes. Considerando que a sociedade contemporânea tornou-se um conglomerado de indivíduos, grupos e sociedades articulado por redes midiáticas que expõem alternativas de representações sociais da história, são estas alternativas que se apresentam, ao seres humanos, como constituindo a verdadeira organização humana no planeta, ou seja, a sua imagem, a imagem da história.
Neste sentido, consiste em compromisso ético buscar que as diferentes verdades, visões e tradições culturais sejam preservadas e introduzidas no debate socializador, interrelacionando ambiente e sociedade nestas redes tecno-eletrônicas, tendo em vista tornar efetivamente público o processo de decisão sobre os conteúdos nelas veiculados. Ou seja, socializar, otimizando a programação, notadamente a dirigida à infância e à adolescência.
O LAPSI – Laboratório de Psicologia Sócio-Ambiental e Intervenção considera o evento TVQ – Criança, Adolescente e Mídia uma iniciativa coerente com esta busca, que visou contribuir para a produção de reflexões e ações sobre possíveis caminhos de criação de uma efetiva política ambiental, voltada para a construção intencional de um futuro para o planeta baseado em uma desejabilidade social, culturalmente compartilhada, traduzida sob forma de programações veiculadas pelas redes midiáticas.
Eda Tassara - Coordenadora do LAPSI – Laboratório de Psicologia Sócio-Ambiental e Intervenção – IPUSP
OBJETIVOS
Fundamentalmente, a proposição e a realização do Seminário Internacional TVQ – Criança, Adolescente e Mídia visou desenvolver uma discussão a respeito de como os conhecimentos nas áreas de Comunicação, Educação, Psicologia, Artes, dentre outras, podem trazer subsídios para o trabalho de professores da rede pública e particular de ensino, para os profissionais da comunicação e agentes sociais em instituições e ONGs, no que se refere às questões relativas às mídias: conteúdos e formatos veiculados, qualidade e formas de recepção, possibilidades de uso da programação existente, programações alternativas, impactos negativos e positivos, influências comportamentais, construção da identidade social e etária, exposição à violência, exposição a cenas de sexo, adequação da programação veiculada e consumida, etc.
Sua relevância científica e social consistiu na atualidade da discussão que se produziu sobre tema de inquestionável valor e potencialidade de influências, em sinergia viva com os meios de comunicação e a sociedade, ali representados por diferentes agentes sociais, representados por estudiosos e profissionais de várias áreas.
Além disso, esse evento objetivou promover a socialização de experiências de profissionais, empresas e órgãos governamentais ou não, com essas questões, permitindo a proposição de inclusão da temática e de seus desdobramentos nos Cursos de formação em Comunicação Social e Educação de disciplinas que abranjam temas referentes.
O EVENTO E SEUS REALIZADORES
Para organizar e promover o Seminário Internacional TVQ- CRIANÇA, ADOLESCENTE E MÍDIA uniram-se o LAPIC - Laboratório de Pesquisas sobre Infância, Imaginário e Comunicação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (LAPIC/ECA/USP)[1], o LAPSI – Laboratório de Psicologia Sócio-Ambiental e Intervenção (LAPSI/IP/USP)[2], o MIDIATIVA - Centro Brasileiro de Mídia para Crianças e Adolescentes[3] e o SESC-SP (Serviço Social do Comérico de São Paulo).
O Seminário Internacional TVQ – Criança, Adolescente e Mídia ocorreu na cidade de São Paulo, Brasil, no Teatro do SESC - Vila Mariana de São Paulo (com capacidade para 600 pessoas), nos dias 9 (cerimônia e conferência de abertura), 10 e 11 (mesas-redondas) de dezembro de 2004, foi organizado e realizado conjuntamente pelas instituições listadas acima.
MOSTRA DE VÍDEOS
Fazendo parte do mesmo evento, porém consistindo em uma atividade diferenciada e paralela, o seminário foi acompanhado por uma mostra de filmes, vídeos, documentários, ficções, animações, reportagens especiais e programas de televisão, que focalizam a criança e o adolescente em quatro temáticas, organizadas de acordo com os temas das mesas-redondas: como assunto, produtores de mídia, personagens e consumidores de mídia.
A mostra de vídeos ocorreu em 4 sessões diárias diferentes, (14, 16, 18 e 20 horas) nos dias 10 e 11 de dezembro, com 3 sessões de reprise de uma seleção de vídeos no dia 13 de dezembro (14, 16 e 18 horas, no auditório de projeções do SESC Vila Mariana (com capacidade para 150 pessoas), e foi gratuita e aberta ao público interessado em geral, não apenas restrita aos participantes do seminário.
APOIADORES E PARCEIROS
O Seminário e a Mostra contaram com o apoio e a parceria das seguintes organizações e instituições:
USP – Universidade de São Paulo através da Pró-Reitoria de Pesquisa, da Pró-reitoria de Cultura e Extensão Universitária, do Museu de Ciências, da TV-USP e do MIDIALAB.BR/ECA.
ANDI – Agência de Notícias dos Direitos da Infância
UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura
UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância
Fundação Prix Jeunesse (Munique/Alemanha)
FAMEC – Faculdade Montessori de Educação e Cultura
Fundação Padre Anchieta – Rádio e TV Cultura
TVE – Rede Brasil
STV – Rede SescSenac de Televisão
Rio Summit 2004 - 4ª Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes
Cristina Brito - Escritório de Comunicação
LARAMARA – Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual
CENPEC – Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária
RIO SUMMIT 2004
As discussões que se desenvolveram no decorrer do TVQ foram uma preparação para a 4ª Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes (IV World Summit on Media for Children and Adolescents), evento internacional a ser realizado no Rio de Janeiro em abril de 2004, que trará ao Brasil produtores culturais e pesquisadores da área da Comunicação e Educação de mais de 50 países.
Um dos resultados imediatos da realização deste seminário foi, portanto, o de preparar o público interessado para as discussões que terão lugar durante o Rio Summit 2004.
PÚBLICO
Além dos cerca de 130 convidados e bolsistas (pesquisadores e colaboradores das instituições apoiadoras e parceiras), para participar do seminário TVQ inscreveram-se 402 pessoas, totalizando uma platéia de 532 pessoas, entre formadores de opinião; produtores de mídia e jornalistas (profissionais de televisão, cinema, publicidade, internet, animação, cartunistas, etc), pesquisadores, professores, universitários e estudantes de pós-graduação em comunicações e educação; educadores e pais, provenientes de diferentes instituições.
Entre os inscritos no seminário, 56 pessoas eram provenientes das capitais de 12 diferentes Estados da Federação (Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Acre, Bahia, Ceará, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Paraná e Santa Catarina).
Entre aqueles provenientes de São Paulo, inscreveram-se 81 interessados oriundos de 30 diferentes cidades do interior (Americana, Araçatuba, Araraquara, Assis, Barueri, Bauru, Campinas, Cotia, Diadema, Embu Guaçu, Franco da Rocha, Jandira, Lençóis Paulista, Mauá, Mogi das Cruzes, Nova Odessa, Osaco, Pilar do Sul, Ribeirão Pires, Ribeirão Preto, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, São José dos Campos, São José do Rio Preto, Santo André, Santos, Sumaré, Suzano e Taboão da Serra).
Desse modo, sem contar com a repercussão que o evento teve e continua tendo na mídia, ele pode ser avaliado como de grande impacto direto, pois poderá ter efeitos multiplicadores espraiados a partir de pelo menos 42 cidades brasileiras. (12 capitais mais 30 cidades do interior de nosso Estado), além da própria cidade de São Paulo.
PROGRAMA
O programa do Seminário foi organizado com a proposição de uma sessão de abertura, na noite do primeiro dia, seguida por dois dias de trabalho estruturado mediante a apresentação dos professores, estudiosos e professores convidados.
Entre a proposição do seminário e a sua efetiva realização, foram necessários alguns ajustes entre os convidados, em virtude de problemas de agenda, que em nada afetaram a qualidade das exposições. Um desses ajustes foi necessário em virtude da ausência da Profa. Patrícia Arriaga (México) que teve que ser substituída pelo Sr. Burny Bos (Holanda). Porém, uma vez impresso o programa todos os convidados divulgados compareceram.
ESTRUTURA
Para dar conta de todas as suas particularidades, o tema geral CRIANÇA, ADOLESCENTE E MÍDIA foi subdividido em quatro segmentos, que foram discutidos separadamente ao longo dos dois dias de trabalho – duas manhãs e duas tardes – em quatro diferentes mesas-redondas onde a criança e o adolescente foram considerados e focados respectivamente como: ASSUNTO DA MÍDIA, PRODUTORES DE MÍDIA, PERSONAGENS NA MÍDIA e CONSUMIDORES DE MÍDIA.
Em cada uma dessas mesas-redondas a criança e o adolescente, considerados tanto em sua condição etária como em sua posição de agente socialmente ativo, foram sempre enfocados a partir de diferentes pontos de vista - tanto por especialistas e cientistas como por profissionais da mídia, brasileiros e estrangeiros - de maneira a produzir, efetivamente, um debate sobre os temas propostos.
VINHETAS
Em todas as sessões, antes de se iniciarem os trabalhos, foram exibidas vinhetas de abertura, especialmente encomendadas com essa finalidade para 4 diferentes emissoras de televisão: STV - Rede SescSenac de Televisão, TV-USP, TV Cultura de São Paulo e TVE- Rede Brasil.
OS JORNALISTAS AMIGOS DA CRIANÇA
Para tanto contamos com a colaboração dos Jornalistas Amigos da Criança diplomados pela ANDI – Agência de Notícias dos Direitos da Infância, que acompanharam e registraram todo o evento.
Para qualificar a cobertura jornalística sobre as questões da infância e da adolescência, influenciando no pensamento do público e colaborando para construir novos valores na sociedade, a ANDI criou em 1997 o Projeto Jornalista Amigo da Criança. O objetivo é o reconhecimento da criança e do adolescente como seres em condição peculiar de desenvolvimento, que precisam ser cuidados e ter prioridade absoluta nas políticas públicas.
Atualmente, são 250 Jornalistas Amigos da Criança. Após esses anos de projeto, é possível constatar que esses profissionais são referência dentro e fora de suas redações de jornais, revistas, rádios e televisões e, a cada ano, o projeto consolida a presença da infância e da adolescência na agenda do jornalismo brasileiro.
Para participar do Seminário Internacional TVQ – Criança, Adolescente e Mídia do TVQ, a ANDI convidou nove entre os seus Jornalistas Amigos da Criança.
A jornalista Neide Duarte da TV Cultura foi convidada para fazer o papel de mestre de cerimônia na abertura.
Os demais participaram em duplas – dois para acompanhar cada mesa-redonda e os debates que se seguiram – divididos em duas funções: um sendo responsável pela relatoria das discussões e o outro fazendo as apresentações e conduzindo as perguntas por escrito vindas da platéia.
Foram eles: Andréia Peres – Cross Content; Bia Rosemberg – TV Cultura; Fernando Rosseti – Educarte (Educação Comunicação e Arte); Gilberto Nascimento – Fome Zero; Luciana Garbin – O Estado de S.Paulo; Marilu Cabañas – Rádio Cultura; Pedro Paulo – TVE; Mauro Dahmer – MTV Brasil.
Durante as sessões, após as exposições dos convidados e das conclusões e fechos dos mediadores, os jornalistas apresentadores, passavam a encaminhar à mesa as perguntas que tinham chegado às suas mãos por escrito, da platéia, durante toda a mesa-redonda. Perguntas destinadas a uma mesma pessoa ou com questões envolvendo temáticas semelhantes, eram sintetizadas pelo jornalista e encaminhadas em conjunto. No final, por solicitação da platéia, o microfone ficava aberto para algumas manifestações orais.
PRIMEIRO DIA - abertura
O programa, apresentado pela “Jornalista Amiga da Criança” Neide Duarte consistiu em uma sessão de abertura, da qual participaram à mesa, com expositores, os seguintes especialistas:
· Prof. Danilo Santos de Miranda – Diretor Regional do SESC São Paulo
· Beth Carmona – Presidente da TVE – Rede Brasil e do Centro Brasileiro de Mídia para Crianças e Adolescentes (MIDIATIVA)
· Profa. Dra. Elza Dias Pacheco – Coordenadora do Laboratório de Pesquisas sobre Infância, Imaginário e Comunicação (LAPIC-ECAUSP)
· Profa. Dra. Eda Tassara – Coordenadora do Laboratório de Psicologia Sócio-Ambiental e Intervenção (LAPSI-IPUSP)
· Prof. Dr. Rolf Weber – Diretor do Museu de Ciências da USP
· Nils-Arne Kastberg – Diretor Regional do UNICEF para América Latina e Caribe
Antes de se iniciar a conferência de abertura, a Profa. Dra. Regina de Assis – Chairperson da 4a. Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes e Presidente da Empresa Municipal de Multimeios do Rio de Janeiro (MULTIRIO/RJ), fez o anúncio da 4a. Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes, com a exibição de um vídeo sobre a mesma.
Por fim, após essas intervenções, ocorreu a conferência magna proferida pela Coordenadora Científica da Câmara Internacional da UNESCO para Crianças e a Violência na Tela - Nordicom (Suécia), Profa. Cecilia von Feilitzen, mediada pela jornalista Âmbar de Barros, Coordenadora do Escritório Regional da UNESCO em São Paulo, sob o título de “Crescer na idade mídia: que valores transmitimos às futuras gerações?”
SEGUNDO DIA – MANHÃ – Mesa 1
A primeira mesa-redonda do Seminário discutiu o tema A criança e o adolescente como assunto da mídia.
Nessa sessão, através das experiências e análises distintas de 3 especialistas, buscou-se compor um panorama sobre como a imagem e a fala da criança e do adolescente são expostas nas matérias jornalísticas, documentários e reportagens especiais para televisão e cinema, em função de sua realidade sócio-econômica, idéias, conhecimentos e expectativas.
A mesa teve como convidados:
· Veet Vivarta – Diretor-editor da Agência de Notícias dos Direitos da Infância (ANDI)
· Profa. Dra. Ivana Bentes – Professora da Escola de Comunicação e coordenadora do Curso de Radialismo da UFRJ
· Prof. Germán Franco Díez – Jornalista, realizador de cinema e de televisão da Universidade Nacional da Colômbia e membro da Fundación Social (Colômbia)
A mediação da mesa 1 foi da Profa. Dra. Esther Hamburger – do Curso Superior de Audiovisual da ECAUSP e colaboradora do jornal Folha de São Paulo – que contou com a participação das jornalistas Marilu Cabañas (Rádio Cultura) como relatora e de Andréia Peres (Cross Content) como apresentadora e coordenadora das perguntas da platéia.
Relatório “Jornalista Amigo da Criança”
MESA 1 – A representação da criança e do jovem na mídia
Por Marilu Cabañas
A representação da criança e do adolescente na mídia foi a questão inicial levantada pela mediadora da mesa 1 do Seminário TVQ, Esther Hamburger, professora do Curso Superior de Audiovisual da ECA-USP e colaboradora do jornal Folha de S. Paulo". Ela diz que ocorre um "boom de visibilidade". Os meninos negros e pobres condensam uma série de esteriótipos. Portanto a visibilidade em si não resolve a questão, segundo ela.
É o caso do jovem que sequestrou o "ônibus 174", no Rio de Janeiro. O fato foi transmitido o tempo inteiro, ao vivo, pela televisão. Foi um evento televisivo. Esther relembrou a trajetória de vida do personagem. Quando criança viu a mãe ser assassinada, foi sobrevivente da Candelária, depois foi preso e fugiu. O filme sobre esse episódio, indicado ao Oscar para concorrer na categoria de melhor documentário, faz pensar o papel da TV nesse fato, segundo Esther Hamburger.
O comportamento do adolescente foi mudando com a presença das câmeras. Para falar com a polícia ele permanecia mascarado e usava uma refém como interlocutora. Na medida em que ele percebeu que era um evento midiático, ele escancarava a cara na janela e falava em tom auto-biográfico, associando a fala a filmes que ele tinha visto na tv. "As reféns ele tratava direito, para as câmeras ele utilizava um tom agressivo, contundente", relembra a professora.
As câmeras tiveram um papel perverso na opinião de Esther Hamburguer. Chegou uma hora que a saída para esse jovem foi ficando difícil. E ele foi assassinado justamente quando não havia televisão, ou seja, dentro do carro da polícia. Um caso aterrorizante que sintetiza a complexidade da representação da criança e do adolescente na mídia, conclui a colaboradora do jornal Folha de S. Paulo.
VEET VIVARTA - ANDI - A ótica do jornalismo
O Diretor-Editor da Agência de Notícias dos Direitos da Infância - Andi, Veet Vivarta, comprovou, através de pesquisas, que os 11 anos de trabalho da agência foram importantes para a consolidação da pauta "infância e adolescência" na mídia impressa. A partir de 1996 a agência passou a fazer o monitoramento de 50 jornais do país sobre o tema. De lá para cá houve evolução no número de inserções de matérias. Passou de quase 11 mil em 1996 para cerca de 93 mil em 2002. Hoje o tema "criança e adolescente" já está integrado no cotidiano das redações brasileiras e a cobertura já é obrigação do bom jornalismo, diz Vivarta.
Entre os temas mais abordados, a "Educação" aparece em primeiro lugar, o que é uma boa notícia, segundo o diretor da Andi, já que há sete anos ela ocupava a oitava posição. A "Violência" está em segundo lugar e tem relação com outro dado da pesquisa o das "Fontes mais ouvidas". A "Polícia" é o ator mais ouvido pelos jornalistas, o que prejudica o avanço do debate sobre a questão, diz o diretor da Andi.
A criança e o adolescente são fontes pouco ouvidas, menos de 5 por cento, ocupando a décima posição. Veet Vivarta explica que essa é uma questão cultural: "Ainda se pensa que as crianças não tenham muito o que dizer a respeito de suas próprias vidas". Os familiares estão em terceiro lugar, com 10 por cento, ou seja, não são ouvidos como deveriam. Houve também o aumento de matérias de relevância social nos veículos destinados ao público jovem. As temáticas que contribuíram para a formação do adolescente passou de 24 por cento em 97 para quase 54 por cento em 2002.
Para uma avaliação qualitativa da cobertura jornalística, Veet Vivarta apresentou os critérios para o ranking: número de textos publicados, pluralidade de fontes envolvidas, a voz das crianças e da família, chamadas de primeira página, raça/etnia, textos com ótica de denúncia e de busca de soluções e os temas aids, privação de liberdade e deficiência.
Os jornais mais atuantes na área "infância e adolescência" do Brasil são, pela ordem: Correio Braziliense (DF), A Tarde (BA) e O Povo (CE). A Folha de São Paulo (SP) aparece em oitavo lugar. Até 2000 havia concentração de reportagens envovlendo crianças e adolescentes no eixo Rio-São Paulo. Depois essas matérias foram sendo espalhadas para outras regiões do país.
Alguns motivos justificam esse cenário de evolução, segundo o diretor da Andi: "Os jornalistas não se converteram em militantes, apenas estão utilizando parâmetros do jornalismo de qualidade. Ignorar o Estatuto da Criança e do Adolescente - ECA é um equívoco". Ele acrescenta que informação de qualidade precisa de fonte oferecendo material para a melhor cobertura e à medida que a sociedade avança, os jornalistas também avançam.
Vivarta diz que é responsabilidade das faculdades e empresas de comunicação a busca pela qualificação de seus alunos e profissionais, respectivamente. Hoje muitos jornalistas buscam a qualificação por conta própria, é um processo do jornalista como indivíduo, conclui.
IVANA BENTES - O paradoxo da representação da criança e do adolescente na mídia
A representação da criança e do adolescente na mídia é paradoxal, na opinião da professora da Escola de Comunicação e Coordenadora do Curso de Radialismo da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, Ivana Bentes. Na publicidade, por exemplo, a imagem do jovem é usada para vender. "Na cultura do consumo existe o mito da juventude. Ser jovem virou slogan, elite civilizada e vitoriosa. Enquanto ele puder consumir ele é extremamente valorizado. O resultado é um jovem mitificado pela ditadura do consumo", explica a professora.
Já os adolescentes pobres estão ligados a valores negativos, segundo ela. Nos territórios da juventude e pobreza se encontra a criminalização no Brasil. Ela lembra que o funk e o hip hop são recebidos nos anos 90 como um lugar de distúrbio social. "Essa cultura de massa é relacionada à cultura marginal, algo extremamente arriscado. Os pais ficavam apavorados", diz Ivana Bentes.
Ela analisa alguns filmes brasileiros que marcaram a representação da criança e do adolescente. Rio 40 graus, de Nelson Pereira dos Santos, lançado nos anos 60, mostra duas crianças vendedoras de amendoim. É ressaltada a cultura da esmola. As crianças usam a emoção para conseguir as coisas. O filme mostra essa dramatização para obter benefício imediato. A adolescência problemática é mostrada de forma lírica, comenta a professora da UFRJ.
Já o filme Pixote, de Hector Babenco, lançado em 1980, fala sobre a criminalização da criança. Na época foi mostrada a questão da Febem como escola do crime e um adolescente que sofre todo o tipo de violência, da família, da sociedade e dos amigos. O filme de Babenco rompe com um certo lirismo romântico, diz Ivana Bentes. Depois aparecem outros filmes que dão sequência a essa linha, por exemplo, Como Nascem os Anjos e Cidade de Deus. Ela constata que existe nesses filmes a tentativa de reflexão e análise de um sintoma social bastante sinistro, que é a repetição de jovens pobres se matando entre si .
Documentários de hip hop, de acordo com pesquisa da professora, apresentam o fascínio de meninos pobres pelo poder. Como eles não têm cidadania, identidade, eles procuram o avesso da cidadania, a marginalidade. Como criminosos eles conquistam a visibilidade na mídia.
A grande novidade da relação imagem/pobreza, segundo Ivana Bentes, vem da própria cultura de massa. Novos sujeitos do discurso aparecem. Um rapper politizado, por exemplo, aparece num vídeo-clipe na MTV. É um discurso político novo que passa pela periferia e rompe todos os esteriótipos.
GERMÁN FRANCO DIEZ - MUCHACOS A LO BIEN
A violência que atinge o jovem brasileiro também afeta os jovens da América Latina. Para tentar mudar essa história em Medelín, Colômbia, duas organizações não-governamentais e uma equipe de profissionais de televisão, e das áreas de antropologia, sociologia e história resolveram criar o programa de TV "Muchados a Lo Bién". Na mesa "A Criança e o Adolescente como Assunto de Mídia" o jornalista, realizador de cinema e de televisão da Universidade Nacional da Colômbia e membro da Fundación Social, Germán Franco Díez falou sobre o assunto.
Medelín, conhecida mundialmente pelo narcotráfico, registrou entre 1985 e 1995, 46 mil mortes violentas. Sessenta por cento das mortes foram de jovens entre 15 e 25 anos. É uma cidade com forte tradição cristã, cuja sociedade não aceita a diversidade apresentada pelos jovens. Diante desses dados apresentados Germán falou sobre o programa, que tem por objetivo criar novos espaços de sociabilização para os jovens e mostrar a tv como um local de imagens, cores e formas de expressão.
O projeto saiu do papel depois de oito meses de pesquisa. Germán diz que nessa investigação que os profissionais fizeram da TVcolombiana eles verificaram que o jovem aparecia como estúpido, como uma pessoa vazia, sem graça, sem preocupação, ou apresentava o adolescente como um ser violento, agressivo, principalmente os jovens da periferia, das favelas, chamadas "comunas". O grupo quis fazer exatamente o contrário, ou seja, oferecer a imagem do jovem como um ser humano, com inquietudes, valores, problemas, objetivos.
Germán apresentou um vídeo com trechos do telejornalismo colombiano e do programa Muchados a Lo Bién. Ele explica que foram feitas quatro séries de televisão dentro do projeto sobre os temas: diversidade juvenil, participação, ética e direitos humanos. Num período de 4, 5 anos, foram realizados cerca de 118 episódios de meia hora cada. Os programas foram complementados com concertos e lançamentos públicos de intervenções estética e lúdica pela cidade.
No vídeo apresentado, um trecho de um telejornal de Medelín para mostrar como os meios de comunicação colombianos olhavam o jovem. Os participantes do seminário viram um jovem que, contratado como assassino de aluguel por mafiosos, matou um ex-ministro da Justiça e foi preso. O jornalista fez um verdadeiro interrogatório policial com o garoto. Germán apresentou essa imagem para dizer que deveríamos fazer outras perguntas muito mais profundas a esse jovem. "Sem deixar de castigá-lo pelo delito cometido, mas entendendo que isso acontece por dinâmicas muito mais complexas", afirmou um dos idealizadores do programa Muchados a Lo Bién.
Outra cena mostrada foi a de um ex-guerrilheiro. Germán fez um documentário com guerrilheiros que entregaram suas armas em 1991. Perguntou ao comandante desse grupo, um rapaz muito jovem, o que para ele seria um mundo melhor. Ele estava muito contente e explicou que para ele um mundo melhor seria a canção Imagine, de John Lennon. Cinco anos depois, já na vida civil, o jornalista fez a mesma pergunta ao ex-guerrilheiro e o mesmo se colocou a chorar pois havia sofrido muito. "A sociedade não o recebeu de braços abertos, o perseguiram, tentaram matá-lo", explicou Germán.
O programa Muchados a Lo Bién foi bem recebido pelos jovens, segundo o jornalista. Ele diz que finalmente a televisão estava mostrando a forma de ser do jovem colombiano. As TVs comerciais tiveram um papel importante também na divulgação do programa. Ele foi transmitido não só nos horários de televisão pública, que são limitadas em audiência, mas também por canais comerciais de grande audiência e teve grande impacto.Germán diz que devemos aprender com os jovens."Eles fazem perguntas que os adultos têm medo de fazer. Que sentido faz estar aqui, porque deveríamos consumir, para que necessitamos de estados, por que queremos democracia, como conseguir a felicidade? Essas são perguntas que a sociedade quer esquecer e os jovens estão nos lembrando. Não creio que hoje tenhamos respostas para tudo isso, mas acredito que podemos construir juntos essas respostas", conclui Gérman Franco Diez.
SEGUNDO DIA – TARDE – Mesa 2
A segunda mesa-redonda do Seminário discutiu o tema A criança e o adolescente como produtores de mídia.
Nessa sessão, representantes de 5 diferentes instituições, apresentaram e discutiram resultados de experiências relacionando diferentes mídias (Escola e Internet, Escola e Animação, Televisão e Internet, teatro e Cinema) nas quais a criança e o adolescente são protagonistas que definem a pauta e realizam as diferentes etapas de criação e produção de materiais para divulgação de suas idéias e conhecimentos.
A mesa teve como convidados:
· Márcia Padilha – Coordenadora de projetos do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (CENPEC)
· Marcos Magalhães – Cineasta , fundador e diretor do Anima Mundi - Festival Internacional de Animação do Brasil
· Walter Silveira – Diretor de Programação da TV Cultura de São Paulo
· Guti Fraga – Jornalista, ator e diretor, presidente e fundador do “Nós do Morro”
· Meredith Nierman - Produtora de mídia interativa para crianças, em televisão e internet, no programa ZOOM da PBS – Public Broadcasting System (EUA)
A mediação da mesa 2 foi do Prof. Dr. Ismar de Oliveira Soares – Professor e coordenador do Núcleo de Comunicação e Educação (NCE) da ECAUSP – que contou com a participação dos jornalistas Gilberto Nascimento (ong/rádio+Fome Zero) como relator e de Pedro Paulo (TVE – Rede Brasil) como apresentador e coordenador das perguntas da platéia.
Relatório “Jornalista Amigo da Criança”
MESA 2 – Produção de mídia por crianças e adolescentes atinge massa crítica
Por Fernando Rossetti
O conjunto de experiências apresentado na mesa A Criança e o Adolescente como Produtores de Mídia, durante o Seminário Internacional TVQ, revela que o Brasil começa a ter massa crítica nessa área e já conta com alguns projetos que, se ainda não se tornaram política pública, já reúnem conhecimento suficiente para programas cada vez mais abrangentes.
Um exemplo é o projeto desenvolvido pelo mediador do debate, o professor Ismar de Oliveira Soares, que envolve a implantação de rádios nas 450 escolas de ensino fundamental de São Paulo até 2004. Chamado Educom.Radio e mantido pelo Núcleo de Comunicação e Educação da ECA-USP, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, é um dos maiores projetos no país de produção de mídia por crianças e adolescentes. Tem um amplo e profundo site em torno do conceito "educomunicação".
Outro exemplo é o projeto "Aulas Unidas", mantido pelo grupo que produz o portal Educarede - voltado principalmente para a rede estadual de educação de São Paulo. Envolvendo atualmente 32 escolas, 150 professores e 3.000 estudantes, as "Aulas Unidas" consistem na produção, por crianças e educadores, de materiais para a internet.
O objetivo geral do projeto das "Aulas Unidas" é ampliar o uso pedagógico da internet e das salas de informáticas em escolas. Mas o trabalho vai bem além disso, ressignificando as relações nas escolas, ao colocar professores e estudantes produzindo conhecimento e comunicação lado-a-lado, e não na tradicional relação vertical. Outra estratégia pedagógica, vinculada ao campo da comunicação, é criar pares de escolas, uma no Brasil e outra em países como Espanha, Marrocos, Argentina, Peru, entre outros países onde atua a Fundação Telefônica, patrocinadora da iniciativa.
O fundador e diretor do Anima Mundi - Festival Internacional de Animação do Brasil, Marcos Magalhães, apresentou seu percurso profissional, mostrando como é possível partir de projetos pequenos, envolvendo crianças na produção de comunicação (no caso, animações), e com o tempo e muito esforço, ganhar profundidade, qualidade e impacto. O grupo que produz o Anima Mundi já tem hoje sistematizado um conjunto de oficinas "construídas nos festivais", que agora já acontece em 20 escolas e, como a "Aulas Unidas", envolve estudantes e educadores. Parte do rico material já produzido pode ser encontrado no site Anima Escola.
No campo da televisão, a experiência brasileira apresentada na mesa foi a da TV Cultura de São Paulo, com seus 35 anos de experiência, e o pioneirismo de colocar jovens na tela. O diretor de programação da TV Cultura, Walter Silveira, destacou o atual programa Guerrilha, produzido por uma equipe jovem e que em 2004 irá ao ar todos os dias da semana. É um programa de auditório (ocorre na sede do Itaú Cultural, na avenida Paulista em São Paulo), com reportagens de rua, voltado para estimular a discussão de temas relevantes para a juventude e sua participação no campo social. A experiência, segundo Silveira, mostra que os jovens envolvidos nesse tipo de ação tendem a desconstruir a proposta do programa apresentada pelos adultos e a reconstruírem a proposta com seu próprio repertório.
Teatro e cinema feito por crianças e adolescentes foi o caso apresentado por Guti Fraga, responsável pela formação dos atores que participaram do filme Cidade de Deus. Trabalhando há 17 anos na favela do Vidigal, no Rio, Guti dirige o projeto Nós do Morro, que trabalha uma série de oficinas e vivências com os moradores. Na apresentação mais aplaudida, Guti tocou em temas que cobriam desde a realidade dos favelados até a metodologia do Nós do Morro. Esta tem em seu centro o triângulo casa-escola-teatro. "As crianças que começaram com a gente, com 8 anos, hoje já são multiplicadores e dão aulas já com nossa filosofia".
O último caso consiste numa das mais importantes experiências dos EUA na produção de um programa diário de televisão, feito por crianças para crianças "Zoom - by Kids for Kids. "Brincamos que temos um milhão de produtores no programa", afirmou Meredith Nierman, produtora do programa que é veiculado pela PBS, uma das principais redes públicas de TV dos EUA. Os resultados obtidos no site do programa mostram que essa afirmação não é exagerada: 35 mil visitantes por dia e 16 mil e-mails por semana.
A produção do Zoom implica interatividade - e seu formato já está sendo negociado pela TVE, a televisão pública nacional brasileira, atualmente dirigida por Beth Carmona, uma das organizadoras do TVQ. O programa é ancorado por sete crianças e adolescentes, que mudam ano a ano. O "ciclo da aprendizagem interativa" envolve, segundo Nierman, a apresentação de experiências e atividades que podem ser realizadas por outras crianças - brincadeiras e jogos, experimentos, comidas e bebidas etc. Os telespectadores realizam as atividades em casa e mandam para o programa, por e-mail, suas aprendizagens e sugestões de novas atividades. E com isso o ciclo se reinicia.
DESAFIOS
Embora isolados, esses seis casos estão inseridos no contexto da revolução das tecnologias de comunicação e informação que vem ocorrendo de forma cada vez mais acelerada nas últimas décadas. Essa enorme transformação coloca desafios tanto para a educação como para a comunicação.
O mediador da mesa, Ismar de Oliveira Soares, chamou a atenção para o surgimento de um novo campo de trabalho para profissionais de educação e de comunicação, que se situa na interface desses dois campos. Para ele, os trabalhos desenvolvidos nessa interface contribuem para melhorar tanto a educação como a comunicação - e assim, para o desenvolvimento da sociedade.
O projeto das "Aulas Unidas" destaca três resultados - que também se constituem como desafio - da experiência:
- Crianças e adolescentes se tornam parceiros do adulto na construção de conhecimento
- Há alteração nas relações de poder na escola (mexe no que o pesquisador colombiano Jesús Martín-Barbero chama de "ecossistema comunicativo", conceito que é central no projeto Educom.Radio)
- A produção de mídia contribui para a construção da identidade dos envolvidos (um dos maiores desafios da educação nas atuais megalópoles com São Paulo, Rio, Nova York etc).
Outra característica de projetos nessa área é o auto-didatismo, a experimentação, a inovação, o "aprender fazendo", aspecto destacado pelo criador do Anima Mundi.
Para a norte-americana Nierman, o segredo para se disseminar esse tipo de trabalho é "pensar pequeno" ("think small").
Ou seja, a incipiente massa crítica de projetos no Brasil em que crianças e adolescentes produzem mídia mostra que, embora o caminho para que todos os cidadãos brasileiros tenham acesso a esse tipo de formação dependa das políticas públicas universais, um caminho possível é disseminar a cultura de pequenas produções comunitárias pelas escolas, centros de juventude, associações e qualquer outra instituição que reúna crianças, jovens e adultos.
Enfim, a capacidade de ler criticamente a mídia e de ter canais de construção e expressão da identidade individual e coletiva são fundamentais para se formar o cidadão e a cidadã no século 21. E a produção de mídia quando criança e adolescente é um bom caminho para isso.
TERCEIRO DIA – MANHÃ – Mesa 3
A terceira mesa-redonda do Seminário discutiu o tema A criança e o adolescente como personagens na mídia.
Nessa sessão, 4 diferentes estudiosos e profissionais apresentaram vídeos e peças áudio-visuais para discutir como se dá a construção da imagem da criança e do adolescente e a representação da infância e da adolescência na ficção das novelas de televisão, dos filmes de cinema, das peças comerciais publicitárias, e em outras mídias impressas ou digitais. Como são pensadas, concebidas e roteirizadas as falas e os comportamentos das crianças e dos adolescentes nas narrativas ficcionais destinadas tanto ao público infanto-juvenil como ao público em geral.
A mesa teve como convidados:
· Profa. Dra. Lúcia Rabello de Castro – Professora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia e do Instituto de Psicologia da UFRJ
· Hiran Castello Branco – Publicitário, diretor da Giacometti Propaganda e presidente do Conselho Nacional de Propaganda (CNP)
· Cininha de Paula – Atriz, diretora geral do programa “Sítio do Picapau Amarelo” (TV Globo) e coordenadora de workshops para atores
· Burny Bos – Escritor e roteirista de TV e cinema, diretor da Bos Bros Film and TV Productions (Holanda)
A mediação da mesa 3 foi de Âmbar de Barros – Coordenadora do Escritório Regional da UNESCO em São Paulo – que contou com a participação dos jornalistas Fernando Rossetti (Educarte – Educação Comunicação e Arte) como relator e Bia Rosemberg (TV Cultura) como apresentadora e coordenadora das perguntas da platéia.
Relatório “Jornalista Amigo da Criança”
MESA 3 – Ausência do negro na TV domina discussão
Por Gilberto Nascimento
A questão mais marcante da Mesa 3 - A criança e o adolescente como personagens na mídia - do Seminário Internacional TVQ Criança, Adolescente e Mídia, foi a polêmica em torno de uma série de comerciais da agência Giacometti Propaganda, que mostravam apenas a imagem de crianças brancas e loiras, e a controversa afirmação do publicitário Hiran Castello Branco de que os negros não aparecem em filmes de propaganda brasileiros porque não são consumidores. Ou não estariam, pelo menos, na faixa do público que o mercado pretende atingir.
A platéia reagiu indignada à fala de Hiran, que é diretor da agência Giacometti e presidente do Conselho Nacional de Propaganda (CNP). Foi lembrado ao publicitário, por uma das pessoas da platéia, que os negros somam hoje 53% da população brasileiras e formam, sim, uma parte muito significativa do mercado consumidor. "Entidades do movimento negro têm esses números e podem ajudar a atualizar os seus dados, bem como lhe passar muitas informações", afirmou uma representante da platéia, dirigindo-se ao publicitário.
Para Hiran, a publicidade reflete "o que é um extrato da sociedade". Em sua avaliação, o negro seria minoria e, por isso, "como a mídia projeta sempre algo adiante, muitas vezes ele nem é lembrado na propaganda". Também foi observado que a maioria dos presentes ao debate sonham com uma transformação da realidade brasileira. "E se hoje o negro é invisível, apesar de ser a maioria da população, essa realidade tem de ser mudada", afirmou uma professora.
Os filmes mostrados por Hiran - a maioria propaganda de chicletes -também receberam críticas. Para boa parte do público, comerciais desse tipo abusam da fragilidade da criança para induzi-la ao consumo de produtos supérfluos e inúteis, que, além de tudo, ainda causam danos à saúde.
Hiran, no entanto, foi muito elogiado pela coragem de comparecer ao debate e por propor ao público que não tivesse receio em fazer críticas a seus filmes. Humildemente, afirmou estar ali também para ouvir e aprender. Disse ter preocupação com os eventuais efeitos nocivos de comerciais e admitiu que "se há problemas no trabalho de quem tem preocupação, como é o nosso caso, imaginem então no caso daqueles que não estão nem aí".
Para a professora Lucia Rabello de Castro, do programa de Pós-Graduação em Psicologia e do Instituto de Psicologia da UFRJ, o adulto, beneficiando-se de uma relação de poder, é o inventor, através de uma elaboração estética e cultural, na qual a criança visa ser capturada. "Esses personagens da mídia são invenções desse adulto que quer capturar esse outro. Os interesses de um prevalecem sobre os do outro, numa relação de poder que os legitimam".
A atriz e diretora de TV Cininha de Paula mostrou como funcionam os cursos de treinamento e preparação de crianças, que vão em busca de vagas em filmes, novelas e comerciais. "Muitos nem sabem por que estão ali. Vão forçados pelos pais que, na realidade, é quem quer vê-los transformados em atores e atrizes".
O holandês Burny Bos, escritor e roteirista de TV e cinema, comentou que, quando começou a produzir seus filmes, observou que as produções infantis não tinham nada do mundo das crianças. "Elas só se preocupavam, em sua maioria, em como transformar a criança em um adulto o mais rápido possível".
TERCEIRO DIA – TARDE – Mesa 4
A quarta mesa-redonda do Seminário discutiu o tema A criança e o adolescente como consumidores de mídia
Nessa sessão, 4 diferentes estudiosos e profissionais apresentaram discutiram a audiência infanto-juvenil frente à mídia eletrônica, principalmente a televisão. Nesta mesa foram levantadas importantes questões, tais como: o que a criança e o adolescente assistem e consomem dentro do universo da programação televisiva e das mídias eletrônicas em geral, destinada tanto ao público infanto-juvenil como adulto, e o que consome a partir dessa programação; qual a especificidade dessa audiência frente às telas da televisão, do computador, do cinema, do vídeo-game; como se dá a sua relação com a televisão, em termos da qualidade da recepção, da interatividade e do tempo de audiência; como se dá a mediação dos adultos nesse processo; do ponto de vista das suas particularidades psico-sócio-etárias, como se dá a absorção de informações, comportamentos, ideologias, modelos, ideais de consumo e de felicidade, etc, veiculadas pelas mídias. Especialmente, discutiu-se que mecanismos poderiam proteger a criança de programações inadequadas para a audiência infanto-juvenil.
A mesa teve como convidados:
· Ana Helena Reis – Diretora da empresa de pesquisa de mercado Multifocus, especializada no estudo do comportamento da audiência infanto- juvenil
· Prof. Dr. Laurindo Leal Filho – Professor do Curso de Jornalismo e Editoração da ECAUSP, membro do TVer
· Prof. Dr. Tales Ab’sáber – Psicanalista, professor da Escola da Cidade, membro do Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae
· Beth Carmona – Presidente da TVE - Rede Brasil e do Centro Brasileiro de Mídia para Crianças e Adolescentes (MIDIATIVA)
A mediação da mesa 4 foi de Nelson Hoineff – jornalista e documentarista, crítico de cinema e diretor de televisão – que contou com a participação dos jornalistas Luciana Garbin (O Estado de S.Paulo) como relatora e Mauro Dahmer (MTV Brasil) como apresentador e coordenador das perguntas da platéia.
Relatório “Jornalista Amigo da Criança”
MESA 4 – Qualidade na programação: um bem necessário
Por Luciana Garbin
Como se comportam crianças e adolescentes em relação à televisão? De que maneira são afetados por sua programação? O que fazer para melhorar a qualidade do que é apresentado nos canais? Essas foram algumas questões discutidas na mesa 4 do seminário internacional TVQ, A criança e o adolescente como consumidores de mídia.
Mediada por Nelson Hoineff, documentarista, crítico de cinema e diretor de televisão, ela teve como convidados Ana Helena Reis, diretora da empresa de pesquisa de mercado Multifocus; Laurindo Leal Filho, professor da Universidade de São Paulo e integrante da ONG Tver; Tales Ab´Saber, psicanalista, e Beth Carmona, presidente da TVE-Rede Brasil e do MIDIATIVA.
Hoineff abriu as dicussões lembrando que as crianças brasileiras têm cada mais cedo acesso ao controle remoto, geralmente longe da vista de adultos. Esse é um dos motivos, em sua opinião, de se discutir a qualidade da programação.
A seguir, Ana Helena Reis traduziu a introdução em estatísticas. Apresentando análises preliminares do estudo Kiddo´s, feito com 1.500 crianças de 6 a 11 anos das classes A, B e C dos grandes centros, ela mostrou que, entre os meninos e meninas ouvidos, 99% disseram assistir TV, 87% ouvir rádio, 79% ler quadrinhos, 34% usar Internet e 34% ler ou folhear jornais.
Ou seja, a TV continua sendo o principal veículo de entretenimento infantil e de interação com o mundo. Além disso, tem poder até de influenciar nas escolhas de sites feitas pelas crianças. A pesquisa mostrou que elas visitam, pela ordem, principalmente páginas de canais de TV, personagens e bonecos, jogos, música, esporte e bate-papo.
Citando números do Ibope Mídia, Ana Helena destacou que, dos 10 programas mais assistidos por meninos e meninas de 4 a 17 anos, 8 são de adultos (incluindo novelas, filmes, jornais e programas de auditório) e só 2 de programação infantil. No entanto, isso não significa que as atrações adultas sejam as preferidas da garotada. De seus 50 programas prediletos, 40 eram de conteúdo infanto-juvenil (desenhos, seriados ou novelas infantis, ficção e quadros com apresentadores).
Ana Helena falou ainda sobre um levantamento feito com pais. Para eles, a televisão tem, ao mesmo tempo, trazido benefícios e malefícios para a formação dos filhos. Como valores positivos, citaram o fato de ser uma forma de adquirir conhecimento, socializar o acesso ao mundo digital e novas mídias, revelar um pouco do mundo dos filhos e ser um tipo de lazer de baixo custo.
Entre os aspectos negativos, estão, na opinião dos pais, a contribuição da televisão para substituir o sonho infantil e o mundo do faz de conta pelas ilusões adultas, como riqueza, sucesso e felicidade, a banalização do sexo e da violência, a pobreza da linguagem utilizada, a discriminação e preconceito com as pessoas, a exposição do mundo-cão, o desrespeito à ética e a valores e a ditadura do consumo como forma de interação social.
"Tudo isso vai contra o que os pais tentam passar e causa conflitos, por exemplo, quando eles têm de negar para as crianças o que para elas é inclusão social", explica Ana Helena.
Para se ter uma idéia da valorização do ter (e não do ser) na sociedade atual, de acordo com a pesquisa, 65% das crianças se importam muito com a roupa que usam e 44% com o peso. Em relação ao futuro, 14% dos meninos gostariam de ser jogadores de futebol e, entre as meninas, 6% cantoras e 5% modelos, ressaltando a procura por profissões ligadas ao sucesso rápido e fácil. Outros números emblemáticos: 59% das mães pesquisadas trabalhavam fora e a maior atividade que faziam junto aos filhos era ir ao shopping (36%).
O professor Laurindo Leal Filho pegou o gancho das estatísticas para lembrar que elas se referem às classes A, B e C, mas a realidade numa sociedade desigual como a brasileira é muito variada. Sendo assim, é necessário saber de que público se está falando e de refletir sobre quais são as camadas mais vulneráveis à TV.
Considerando que 90% a 92% da população vê televisão e outras formas de comunicação, como leitura e cinema, são bem menos procuradas, ele conclui que a TV é o "educador hegemônico da sociedade brasileira". Diferentemente da Europa, no entanto, é majoritariamente comercial, vinculada à audiência, ao mercado e ao consumo. Desse modo, não tem compromisso em servir.
"Não temos esse conceito de serviço. No Brasil, a televisão é um empreendimento privado e, como só ela informa, as pessoas não têm mecanismos, possibilidades nem consciência de cobrar qualidade desse serviço. A população ainda cobra quando os ônibus atrasam ou a água quando chega com mau cheiro, mas em relação à TV há uma paralisia da sociedade".
Para o professor, concessionários e produtores tentam transferir a responsabilidade pelo conteúdo da programação para a família, que não tem mecanismos para controlá-lo. "A TV opera sem lei, com poder superior aos poderes da República, o Código Brasileiro de Radiodifusão é de 1962 e não há um movimento sério no sentido de alterar esse processo", disse.
Outras agravantes: as concessões são praticamente perenes já que são necessários dois quintos de votos abertos do Congresso para suspendê-las e o lobby dos veículos impede que uma regulamentação mais eficiente possa avançar. "Quando um deputado ousou sugerir um 0800 à disposição dos espectadores, a proposta foi vetada porque, segundo relator de uma comissão, aquilo era forma de censura."
"O que fazer?", questionou então o professor. Para ele, é necessário primeiramente que os formadores de opinião entendam que a TV é um instrumento político e social e esqueçam qualquer projeto de auto-regulamentação. "Isso é como colocar o cabrito para tomar conta da horta", brincou.
Outra sugestão é abandonar a idéia do V-Chip, que transfere a responsabilidade da programação do concesssionário para a família. "O problema da TV não é nem a baixa qualidade, é a falta de escolha. Não se fala em censura, mas no estabelecimento de canais institucionais nos quais a população tenha o direito de exigir uma TV mais respeitosa."
O próximo a falar foi o psicanalista Tales Ab’Saber. Abordando outros aspectos da questão, partiu do poema “Brinquedo de Pobre”, que o escritor francês Baudelaire escreveu em meados do século 19, para discutir características da infância e de como a televisão de baixa qualidade pode degradar elementos da vida subjetiva infantil, ao estimular ao máximo o consumo e não primar pela qualidade.
Em sua opinião, além de, do ponto de vista social, esvaziar o espaço da cidadania e dos direitos, na vida subjetiva recalca a possibilidade imaginativa numa fase em que a abertura do eu está ligada intimamente à exploração do mundo. "Crianças pequenas, ao ganharem um brinquedo, se interessam mais pelo pacote e pela cordinha que o amarrava do que pelo brinquedo", afirmou o psicanalista. "A indústria cultural vai fazendo, ao contrário, com que a criança se interesse antes do tempo pelo brinquedo."
Tales chamou a atenção ainda para pais infantilizados e para um dado da pesquisa da Multifocus, que mostrou que 36% têm como forma de lazer com os filhos ir ao shopping. "Os pais trabalham para conseguir dinheiro e consumir e vivem geralmente numa estrutura massacrante, que os afasta das crianças. Quando têm tempo, vão ao shopping para consumir. Esse empobrecimento do pensar está regulado pela indústria cultural."
No papel de produtora e programadora, Beth Carmona fez um contraponto na discussão. Após lembrar que muitos profissionais continuam na televisão porque acreditam no valor do meio, levantou a questão: "Nós, que fazemos televisão nesse panorama que se apresenta, o que podemos fazer?"
Depois disso, como anfitriã do seminário internacional, destacou as contribuições dadas por palestrantes nos três dias de encontro. Algumas tentaram responder a essa questão. Veet Vivarta, editor da ANDI, defendeu, por exemplo, que a formação dos profissionais que lidam com TV esteja mais voltada à agenda social do País. Beth também falou de experiências internacionais mostradas no seminário e lembrou que a televisão pública é importante não só para fazer bons programas, mas também para formar gente mais sensível e competente para a causa da qualidade na TV. "Temos que nos infiltrar, num processo de invasão e catequização", finalizou, antes de abrir a mesa às perguntas da platéia.
[1] LAPIC – Laboratório de Pesquisas sobre Infância, Imaginário e Comunicação (ECAUSP). Criado em 1994, o LAPIC agrega uma equipe multidisciplinar de pesquisadores – educadores, psicólogos, pedagogos e profissionais de comunicação. Sua missão é atuar na produção e divulgação de conhecimentos sobre a relação TV-criança, propondo e desenvolvendo estudos com o objetivo de gerar novos paradigmas para a análise das mediações e dos processos de recepção do público infanto-juvenil.
[2] LAPSI - Laboratório de Psicologia Sócio-Ambiental e Intervenção (IPUSP). Criado em 1999, O LAPSI agrega uma equipe multidisciplinar e inter-institucional de pesquisadores brasileiros e estrangeiros – psicólogos, arquitetos, sociólogos, engenheiros, assistentes sociais, geógrafos e historiadores. Sua missão é atuar na produção, aplicação e divulgação de conhecimentos sobre a intervenção psicossocial, propondo e desenvolvendo estudos com o objetivo de gerar novos paradigmas para a análise de relações entre indivíduos, grupos e sociedades e configurações cultura-técnica-ambiente.
[3] MIDIATIVA - Centro Brasileiro de Mídia para Crianças e Adolescentes. Ong criada por profissionais de Comunicação e Educação, que se dedica ao debate sobre a qualidade da mídia dirigida ao público infanto-juvenil. Sua missão é promover o pensamento crítico sobre a mídia e contribuir para a melhoria da qualidade da programação televisiva e demais mídias eletrônicas destinadas a crianças e adolescentes.